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ABORTO: TEMÁTICA EM EVIDÊNCIA

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Da redação| Samy Santos

As discussões acerca da descriminalização do aborto grassam na atualidade e dividem a sociedade brasileira, sobretudo sob a influência da campanha eleitoral à presidência. Essa temática tem gerado bastante polêmica, haja vista ser o tema, historicamente, um tabu no país, retirado dos principais debates em âmbito nacional.

O número de ambloses realizadas no Brasil é assombroso. Segundo matéria publicada recentemente pela Revista Veja, a cada ano, pelo menos 1 milhão de brasileiras praticam aborto de maneira clandestina. Ainda de acordo com a revista, a imensa maioria acontece em clínicas de fundo de quintal, sem nenhuma higiene ou segurança. Nessas condições, as complicações decorrentes de tal prática configuram a quarta causa de morte materna no Brasil. Assim, levando em consideração as informações apresentadas, a discussão acerca da legalização do aborto ganha fôlego em alguns segmentos da sociedade.

Noutro ângulo, grande parte dos brasileiros argumenta que não é necessário fazer apelo a princípios religiosos para repudiar vivamente tanto a prática quanto a sua descriminalização. Dessa forma, o aborto é, então, na perspectiva científica, um atentado direto à vida humana, à vida de um ser humano procriado, em gestação e indefeso. Os contrários à legalização do aborto encontram respaldo, também, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que assegura: “todo o indivíduo tem direito à vida” (artigo 3.º). Ademais, a temática do aborto ainda é passível de ser discutida nas perspectivas ética e moral, uma vez que ambas condenam, categoricamente, tal prática.

No Brasil, o aborto só é permitido em casos de estupro ou de risco de vida para a mãe. Alguns processos tentam ampliar ou liberar tal prática, o que se encontra em fase mais avançada é o que propõe a interrupção de gestação de anencéfalos (fetos sem cérebro). Grande parte da população brasileira, de acordo com pesquisas, não condena o aborto quando resguardado na lei. Por outro lado, quando a discussão versa sobre ampliação ou legalização, o discurso sofre um revés.

Para além dos aspectos religiosos, é possível afirmar que a simples legalização do aborto não é uma tarefa fácil, haja vista que o sucateado sistema de saúde do Brasil não é capaz de atender, de forma satisfatória, a quantidade de cirurgias de curetagem que seriam exigidas caso a legalização, sem nenhuma precondição, fosse confirmada. Corre-se o risco, também, de haver uma banalização da vida, visto que milhares de mulheres poderiam se descuidar dos métodos contraceptivos, sob a alegação de poder interromper, com alguma segurança, a gravidez mais tarde. Desse modo, em qualquer um dos contextos possíveis, é mais viável (e barato) promover políticas públicas em favor da contracepção.

Só Tiririca que debocha?

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Por  Samy Santos [Colunista do NI]

“Não vote em quem trambica, vote em Tiririca”; “vote em Tiririca, pior do que tá não fica”; “vote no abestado”, esses slogans compõem, na TV, a campanha do folclórico humorista Tiririca, candidato a deputado federal por São Paulo, campanha esta que vem sendo criticada por muitos, sobretudo por políticos, que a encaram como um deboche ao Estado Democrático.
Inicialmente é relevante pontuar que é possível discutir essa temática de maneira dicotômica, a saber: de um lado, está o deboche cotidiano dos políticos, que usurpam os cofres públicos e debocham da inteligência dos eleitores. Do outro, está o “deboche” de Tiririca, que ridiculariza e expõe as entranhas de um segmento (político) corrupto e ineficiente.

Milhares de brasileiros, sobretudo os honestos e conscientes, são ridicularizados diariamente por grande parte dos “representantes” do povo, que fazem propostas de campanha inconsistentes e utópicas, e que só “comparecem” na casa do eleitor de 4 em 4 anos, seja em forma de um par de sapatos, seja pelo programa eleitoral. Como se sente o cidadão comum diante dessa situação? Valorizado? Respeitado? Certamente, não.

Vive-se no país do deboche, do enriquecimento ilícito e da memória curta. Pastores presos por invasão de divisas e corrupção ativa, políticos que escondem dinheiro na meia e também na cueca, Congresso do “mensalão”, governador chefiando quadrilha, e tantos outros exemplos que, certamente, poderiam ilustrar a tese defendida neste parágrafo.

Em maio último, o Congresso Nacional aprovou o Projeto Ficha Limpa. Estranhamente houve grande frisson por parte dos Deputados e Senadores brasileiros. O que justificaria tal comemoração, uma vez que dois terços dos políticos brasileiros respondem a processos vinculados a tráfico de influência, peculato ou corrupção? Tal justificativa encontra respaldo, sem dúvida, na certeza de que a impunidade, mais uma vez, far-se-á presente. É o deboche a serviço de interesses escusos.

Como se nota, há dois tipos de deboche no atual cenário político brasileiro, e a grande parte da população brasileira prefere, indubitavelmente, o sarcasmo do humorista Tiririca, que apesar de inoportuno e até mesmo inconsequente, pois brinca com algo sério, pelo menos diverte os lares brasileiros e, por enquanto, não põe a mão no bolso do contribuinte.

O grande problema dessa questão não é, então, a campanha debochada e sarcástica de Tiririca, mas a possibilidade de tal “programa” levar o humorista cearense a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional. Quanto à maioria dos políticos, não é hora de condenações ao humorista, mas de seriedade e compromisso com interesses do povo. Já ao eleitor, cabe saber fazer as escolhas corretas, analisando, dentre outras coisas, a biografia e as propostas dos políticos a serem votados. É hora de avançar!

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Autenticidade: algo raro

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Articulista: Samy Santos (www.samysantos.com.br)- Visitem!

As discussões que versam sobre temas polêmicos, a exemplo da liberação das drogas, aborto, bem como o casamento gay grassam na atualidade. Assim, uma tendência é notória: cada vez mais o discurso de pessoas comuns e também de políticos vem sendo “maquiado”, fato este justificado pelo interesse em “agradar” o(s) interlocutor(es).
Os políticos são rotineiramente convidados a expor opiniões sobre temas que despertam interesse popular e que geram polêmica, tarefa esta extremamente difícil, uma vez que temas polêmicos admitem, com igual intensidade, abordagem positiva ou negativa. Como a intenção é “agradar” a todos, assumir uma posição é algo que pode trazer grandes prejuízos.
Sob pena de perder eleitorado, é comum que políticos, quando solicitados a expor pontos de vistas acerca de temas polêmicos, prefiram assumir uma postura intermediária, ou seja, concordam em parte e discordam em parte. No entanto, a postura mais recorrente é não deixar transparecer opinião ou juízo de valor.
Para ilustrar tal premissa, é bom analisar o que disse o presidente Lula quando foi solicitado a responder se era contra ou a favor da liberalização do abordo. O presidente respondeu: “Independente de minha opinião, essa é uma questão de interesse popular. Dessa forma, a população precisa ser convidada para decidir essa questão de interesse nacional.” Frise-se, mais uma vez, que usar uma resposta do presidente Lula nesse texto atende apenas à intenção de ilustrar a problemática em questão.
Como se nota, independentemente de suas crenças, valores e concepções, os políticos costumam “maquiar” os discursos, sobretudo quando os assuntos despertam o interesse do eleitorado. Vale salientar, novamente, que tal prática (maquiar discursos) não está restrita ao âmbito político, haja vista que ela está enraizada em todos os segmentos da sociedade.
Na contramão dessa tendência de “maquiar” discursos, a presidenciável Marina Silva deu uma entrevista corajosa a Revista Veja, uma vez que não negou as suas concepções e afirmou que era contra o aborto, a legalização das drogas e o casamento gay. Argumentou/justificou que estes posicionamentos tinham relação direta com a sua fé religiosa. Acrescentou, ainda, que os homossexuais poderiam até não votar nela, mas tal fato fazia parte do jogo democrático.
É evidente que soa utópico esperar que pessoas ou políticos revelem, sem “maquiagens”, suas crenças, ideologias e concepções acerca de temas polêmicos, porém as palavras de Marina Silva são, sem dúvida, um alento para uma população tão acostumada com mentira, dissimulação e hipocrisia, sobretudo por parte de políticos. Então, viva a autenticidade do discurso!

OLHO NO VESTIBULAR COM O NOSSO COLUNISTA PROF. SAMY SANTOS

Contribuição e Preconceito

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Proposta 1 da redação da UESB – Possível discussão

Articulista: Samy Santos (Visite o Blog: www.samysantos.com.br)

É inegável que a construção da identidade brasileira ou como preferem outros, brasilidade, está intimamente ligada a elementos da cultura afro. Paradoxalmente, a essa premissa, o negro continua sendo, ainda hoje, vítima de preconceito, exclusão e alijamento.
Na religião, música, dança, alimentação e linguagem, nota-se a influência negra, apesar de a repressão que sofrem as suas manifestações culturais mais cotidianas. Tal influência passa muitas vezes despercebida, uma vez que, com grande frequência, elementos da cultura afro são vistos/concebidos de forma pejorativa.
Nesse contexto, existem, historicamente, fortes dificuldades para se lidar com a temática do preconceito e da discriminação racial, o que contribui também, para que haja um racismo difuso, latente, o qual mascara formas perversas de preconceito. Compreende-se que racismo e ignorância caminham juntos. Os estereótipos e a ideia pré-concebidas vicejam se está ausente à informação, se falta o diálogo aberto, transparente.
É importante ressaltar que nem sempre o preconceito ocorre de forma voluntária e consciente. Assim, quando um patrão, por exemplo, diz que aceita um negro em sua empresa, mas exige que este corte o cabelo quando o penteado for rastafári, nada mais é do que uma forma velada de preconceito, ainda que tal fato ocorra de forma involuntária.
Percebe-se, então, que a superação do racismo ainda presente na sociedade brasileira é um imperativo. É uma necessidade moral é uma tarefa política de primeira grandeza. E a educação é um dos terrenos decisivos para que todos sejam vitoriosos nesse esforço.

ARTIGO: APREMIANDO O MÉRITO – MERITOCRACIA

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Articulista: Samy Santos

Ao ler a palavra “Meritocracia”, muitos gestores públicos vão pensar que se trata de um neologismo. Tal fato ocorre, na maioria das vezes, em razão de muitos políticos trabalharem de forma amadora e desconhecerem as experiências que vêm dando certo não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Meritocracia vem do latim mereo, que significa merecer, obter. A proposta desse método é premiar os profissionais que apresentem bons resultados (premiar o mérito) a partir de metas pré-determinadas. Essa forma de gestão é oriunda das grandes corporações, que enfatizam que distinguir os talentos individuais se configura como um avanço em relação ao modelo tradicional, em que o aumento de salário está vinculado ao tempo de serviço e a titulação.
No Brasil, os estados de São Paulo, Pernambuco e Minas Gerais já empregam a Meritocracia, sobretudo no âmbito educacional, cujos educadores que obtêm os melhores resultados, ganham incentivos financeiros. No sistema que prioriza a Meritocracia, o funcionário precisa mostrar resultados antes de obter benefícios.

Assim, são estabelecidas avaliações periódicas para as promoções e a qualificação profissional é monitorada, para garantir que cursos realizados pelos servidores tenham relação com a carreira exercida. Obviamente, não é uma tarefa fácil reverter o atual cenário político brasileiro, visto que os “bons” profissionais são premiados, apenas, por bajular políticos. É o “velho/novo” fisiologismo. Premiar funcionários levando em consideração APENAS tempo de serviço e titulação (quando não por “subserviência”) não vem demonstrando resultados satisfatórios. Não se trata de descartar totalmente o modelo atual, mas de demonstrar que o sistema de Meritocracia incentiva a produtividade dos funcionários.

Péssimos profissionais há em todos os âmbitos, mas no setor público essa realidade é ainda mais preocupante. “Protegidos” pela estabilidade do emprego, tempo de serviço, acúmulo de titulações e alguns por “apadrinhamentos”, PARTE dos funcionários públicos não desempenha suas funções com excelência. Seria a Meritocracia uma saída viável para esse problema (ineficiência)? Certamente!

Percebe-se, então, que é necessário premiar o mérito, e não o fisiologismo e a bajulação. Os gestores públicos precisam, também, ter visão de estadista e vislumbrar o futuro, e não, apenas, as próximas eleições. Vários setores do Brasil vêm apresentando progressos nos últimos anos, e a esfera política não pode, sem dúvida, se furtar a essa realidade. É hora de avançar!

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Fácil assim?

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Articulista: Samy Santos

“A polícia quando quer, faz”. Por trás dessa máxima se esconde o senso comum, falta de pessoal e estrutura adequada para coibir a criminalidade. A expressão do primeiro período desse texto já está “consagrada” no meio social, visto que parte considerável da população só ver a polícia como uma Instituição corrupta e inoperante.

Esse debate volta à tona em razão dos acontecimentos recentes. O delegado de Camaçari, Cleiton Silva, foi morto numa tentativa de assalto, e em menos de 12 horas todos os bandidos que participaram do crime já haviam sido presos.

O Estado brasileiro não oferece condições adequadas de trabalho aos policiais, uma vez que não há pessoal suficiente, treinamento rigoroso, faltam viaturas, apoio logístico, armamento e todo aparato responsável em oportunizar uma atuação mais competente e eficaz. Assim, é no mínimo incoerente exigir tanto da polícia brasileira.

Não é objetivo desta discussão, no entanto, mascarar e tampouco esconder falhas da polícia que independem da falta de condições de trabalho ofertadas pelo Estado, como abuso de autoridade, corrupção, atividades ilícitas ou violência gratuita, mas o de enfatizar que há sérias razões que impedem e limitam o trabalho da polícia brasileira.

Nesse ínterim, surge o questionamento: por qual razão a polícia consegue dar resposta rápida a criminalidade apenas em alguns casos? Como a falta de estrutura é singular na Instituição, sempre se acaba dando prioridade a alguns casos, tal prioridade é mais notável em crimes cometidos contra policiais, autoridades, pessoas de representatividade social ou ainda que causam grande comoção popular.

Dessa forma, o foco da discussão deveria ser outro. A questão a ser discutida não é, certamente, a resposta rápida que a polícia tem dado em alguns casos, porém a implementação de medidas que possibilite que tal Instituição aja sempre de forma rápida e eficiente.

A violência alcançou níveis insustentáveis no Brasil, e os crimes cometidos não fazem acepção de pessoa, religião, etnia, gênero ou conta bancária. É preciso, então, que o Estado faça investimentos em áreas sensíveis, como segurança pública, saúde, educação, entretenimento, cultura, cidadania e emprego. As ações elencadas aqui não contribuirão apenas para amenizar a criminalidade, mas para elevar os níveis de desenvolvimento do país. É hora de avançar.

Político corrupto: uma questão de pleonasmo?

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Articulista: Samy Santos

Antes de promover uma discussão mais precisa sobre o título que dá nome a este artigo, é preciso, sem dúvida, conceituar o vocábulo “pleonasmo”, que geralmente é concebido como a repetição inútil e desnecessária de algum termo ou ideia na frase.

Assim, este artigo visa a analisar se seria pleonasmo usar a expressão “político corrupto”, uma vez que é cada vez mais notório o envolvimento de políticos em escândalos e armações que têm em comum um único aspecto: a usurpação dos cofres públicos. Dessa forma, é preciso fazer alguns questionamentos: o uso da palavra político dispensa o uso do termo corrupto? Tais palavras (político e corrupto) são indissociáveis?

Historicamente, o Brasil tem convivido com uma imensa quantidade de denúncias envolvendo políticos, seja em esfera local, estadual ou nacional. Tais denúncias tiveram acentuado crescimento nos últimos anos, quando a polícia, sobretudo, a Federal, junto como promotores e procuradores têm promovido um verdadeiro pente fino nas entranhas do poder público.

Com uma atuação singular daqueles que fiscalizam o destino dado ao erário, quadrilhas foram desmanteladas e políticos corruptos desmascarados, a exemplo do que ocorreu com os Anões do Orçamento, nas operações Vampiro, Sanguessuga, Isaías, Anaconda, Pandora, dentre outras.

Apesar de toda a corrupção que assola o país, há algo a ser comemorado, uma vez que nunca se investigou tanto os “representantes” do povo como no atual cenário brasileiro. O que ainda merece atenção é a falta de punição, visto que é muito raro ver um corrupto na cadeira, no Brasil.

Nota-se, que em virtude de tantas denúncias, até mesmo de políticos que até então gozavam de reputação ilibada, as palavras “político” e “corrupto” parecem ser uma só, cujo uso da primeira dispensa o uso da segunda. O fato é que, atualmente, a corrupção grassa em todos os setores em que há atuação ou influência política, seja em forma de peculato ou tráfico de influência.

No que se refere aos questionamentos do título e do segundo parágrafo deste artigo, é possível afirmar que seria uma injustiça dizer que a expressão “político corrupto” é uma questão de pleonasmo e que tais palavras são indissociáveis, haja vista que ainda há pessoas idôneas na esfera política, cuja única missa é defender os interesses do povo e da nação.

Por outro lado, se numa análise criteriosa a expressão “político corrupto” não é uma questão de pleonasmo, tal combinação de palavras já está “consagrada” no senso comum como sinônimo de roubalheira, hipocrisia e corrupção. Tal “consagração” consegue “respaldo” na morosidade e falta de punição por parte da justiça brasileira. Já é passada a hora de moralizar o país.

A propósito da Pedofilia

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Articulista: Samy Santos

Os casos de pedofilia envolvendo padres têm sido a tônica das discussões da atualidade, sempre envolto do discurso de suas relações com o celibato, homossexualismo e a postura da Igreja Católica no que tange à condução e tentativa de resolução da problemática em discussão.
Fazendo uso do senso comum, muitas pessoas vinculam os abusos sexuais cometidos por padres à prática do celibato, acusando esta de ser a maior responsável por tais abusos. Percebe-se, no entanto, que tal concepção não é, até o momento, referendada por métodos empíricos, haja vista que não há pesquisas confiáveis que assegurem tal relação (celibato a abusos sexuais). Assim, tal argumento se mostra um tanto quanto inconsistente, mas não totalmente descartado.
Recentemente, o secretário do Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, declarou: “Muitos psicólogos e psiquiatras já mostraram que não existe vínculo entre o celibato e a pedofilia, mas, me foi dito recentemente, muitos outros já demonstraram que existe uma relação entre homossexualidade e pedofilia.” Tal afirmação se configura, entretanto, como um absurdo científico. A Organização Mundial da Saúde descreve o homossexualismo como uma variante do comportamento humano. A pedofilia que é uma patologia, um crime, e não o homossexualismo.
As declarações do secretário trouxeram ainda mais polêmica sobre a questão. Numa tentativa de justificar tal crença, a Igreja Católica, de forma desesperada, apresentou estatísticas mostrando que dois terços dos casos de abuso de adolescentes por padres envolviam padres homossexuais. Nota-se, por outro lado, que as discussões acerca do fim do celibato nunca ganharam força no meio católico e tampouco este fora elencado como possível causa dos abusos.
A propósito da postura da Igreja Católica frente aos escândalos vinculados à pedofilia, é importante ressaltar que esta não tem a prerrogativa de punir seus membros com o rigor da lei, porém a Instituição tem se mostrado, historicamente, omissa no que se refere à problemática em questão. Nas últimas décadas, a Igreja identificou vários abusos sexuais cometidos por padres, e qual foi a punição para eles? A mais “sensata” de todas, transferir os membros criminosos de paróquia. Só mais recentemente, em virtudes de provas incontestáveis, a igreja tem reconhecido a culpa e pedido desculpa as vítimas.
Hipoteticamente, pode até se relacionar o celibato à enorme quantidade de abusos sexuais cometidos por padres, mas por enquanto é apenas uma hipótese. Vincular a pedofilia ao homossexualismo se mostrou um golpe baixo e oportunista de setores da Igreja. O fato é que a Igreja Católica teve uma postura irresponsável nos últimos anos, deixando nascer e proliferar nos seus seios uma grande quantidade de deliquentes. Agora tem de arcar com as consequências, que são certamente o descrédito e a insatisfação popular. É até pouco se levado em consideração os danos causados. Era para muito mais…

Dilúvio carioca?

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Articulista Samy Santos

No momento em que este artigo é escrito, o Rio de Janeiro ainda conta os mortos em consequência das chuvas que atingiram a capital e algumas cidades na semana passada. Segundo o corpo de bombeiro, as vítimas já somam 223 e os desabrigados passam de 11mil. Em Niterói, por exemplo, houve um grande deslizamento de terras, matando dezenas de pessoas.
É claro que as chuvas que caíram no Estado nos últimos dias foram bem acima da média histórica registrada para o mês de abril. Segundo pesquisadores, choveu, em apenas dois dias, o dobro do esperado para todo o mês. As autoridades afirmaram que a quantidade de água foi “atípica” e superior à capacidade de drenagem da cidade. É importante pontuar, no entanto, que não precisa ter uma chuva “atípica” para transformar o Rio de Janeiro em um caos.
Nota-se, assim, que a questão é mais complexa e exige uma postura reflexiva. Inicialmente, é preciso observar que a própria geografia do Rio de Janeiro facilita o acontecimento de tragédias como essa, visto que várias áreas são construídas em morros, região de alto risco, haja vista que, em épocas de chuva, ocorrem muitos deslizamentos de terra, fato este relacionado à falta de análise do solo. Ademais, grande parte das casas dos morros é construída em terrenos invadidos.
Na semana passada, o governador do Rio, Sérgio Cabral, atribuiu a tragédia aos Governos anteriores que permitiram o crescimento das favelas em áreas montanhosas consideradas de risco. A velha estratégia sempre volta à tona: para se isentar de responsabilidades, os políticos sempre culpam os seus antecessores.
Será que, quando assumiu o governo, o governador Sérgio Cabral não sabia das enchentes em vias como Praça da Bandeira, Avenida Brasil, Estrada Grajaú-Jacarepaguá e Barra da Tijuca? Ou será que o governador não tinha conhecimento do morro do Bumba e da região de Angra dos Reis? O governador certamente ficaria sem respostas a esses questionamentos.
A responsabilidade dos acontecimentos devido às chuvas não pode ser passado em branco. Ao querer desqualificar suas responsabilidades, o governador tenta subestimar as percepções da sociedade. O poder público tem, sim, enorme responsabilidade na tragédia ocorrida. Peca demais também pela omissão.
A sociedade como um todo também tem a sua parcela de culpa, já que a educação ambiental deixa muito a desejar. O poder público, por meio da educação, políticas públicas e valorização dos servidores públicos é que pode criar novos hábitos e atitudes com relação à melhoria ambiental.
Percebe-se, então, que é interessante elaborar estratégias a longo prazo, visando, entre outras coisas, transferir definitivamente os moradores de áreas de risco para locais seguros, como também investir em infra-estrutura e medidas para conscientizar a população acerca de práticas irresponsáveis que contribuem para transformar o estado em um caos nos períodos de chuva.
O que aconteceu no Rio de Janeiro não é, certamente, um dilúvio do mundo moderno, mas, sim, uma consequência da irresponsabilidade, falta de planejamento, visão de gestão, e consciência dos políticos e da sociedade como um todo. É hora de refletir.

O daime

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Articulista: Samy Santos

Há duas semanas foi morto Glauco Vilas Boas, um dos maiores cartunistas do Brasil. O crime foi cometido por Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, rapaz que frequentava uma igreja fundada por Glauco, conhecida como Céu de Maria, e pertencente à seita Santo Daime, cujo nos rituais religiosos é servido um poderoso chá alucinógeno.
Segundo estudiosos, o chá alucinógeno pode ter contribuído para acentuar os sintomas da esquizofrenia, doença até agora suscitada como a provável causa do surto de Cadu, como é conhecido o assassino confesso do cartunista. No entanto, algo merece mais atenção do que o simples uso do chá, mas o fato de esta droga ter sido liberada, há alguns anos, pelo Conselho Federal de Entorpecente – CFE, sob a alegação da “liberdade religiosa”.
Discutir questões pertinentes acerca da Constituição é sempre uma atividade complexa, haja vista que o assunto é sempre passível de várias interpretações. No entanto, chama a atenção o fato de o Conselho permitir o uso de substâncias alucinógenas, cujos efeitos são, com frequência, condenados por especialistas.
O Brasil é um país laico, no entanto (e de forma coerente) é assegurada a liberdade de crenças e credos. Como se nota, a questão é bastante complexa. Apesar disso, um questionamento se faz necessário: sob a alegação da liberdade religiosa, é coerente liberar uma droga com poderosas substâncias alucinógenas?
A resposta ao questionamento não é simples, e exige diálogo e reflexão. O fato é que é preciso promover debates acerca dessa problemática, fazendo com que a população esteja informada não só dos malefícios do chá alucinógeno, mas, também, acerca das questões referentes aos ritos e tradições da seita em discussão. Não é hora, sem dúvida, de discussões vazias e radicalismos.

Celebrando a Democracia

Articulista: Samy Santos – Colunista

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No próximo mês a Nova República do Brasil completará 25 anos. Depois de um Regime Militar que “amordaçou” o país, torturando e matando seus opositores, a nação vive uma fase singular da sua história. Nesta semana, a Revista Veja traz um artigo do Governador de São Paulo, José Serra, no qual há uma análise bastante positiva acerca das transformações políticas/econômicas/sociais das últimas duas décadas e meia.

O Brasil avançou muito em todos os âmbitos nas últimas décadas, e tais conquistas estão vinculadas, sem dúvida, ao processo de redemocratização. Assim, é pertinente citar que a alternância de poder passou a fazer parte das conquistas adquiridas, bem como a liberdade de expressão, o direito de ir e vir, a possibilidade de escolha, a não repressão, dentre outras.

Não se pode negar, também, que as conquistas da Segunda Redemocratização não foram resultados de milagres instantâneos, mas de um esforço constante, haja vista que tão difícil quanto trazer de volta a democracia, foi criar alicerces para que ela pudesse se instalar de maneira sólida. A tarefa foi árdua, e, nesse contexto, erros e acertos foram de grande relevância.

Pode-se afirmar, hoje, que a democracia é um fato consolidado no Brasil. As instituições brasileiras são sólidas e com enorme frequência se pode perceber a atuação ímpar dos princípios democráticos. A própria população brasileira, ainda que às vezes de maneira tímida, dá demonstrações incontestes de conhecimento democrático, cidadania e cultura, tais demonstrações acontecem, principalmente, quando reivindicam seus direitos.

Nota-se, no entanto, que apesar de a democracia brasileira está consolidada, ainda há ranços de um regime ditatorial. Alguns políticos ainda têm dificuldades de compreender os princípios e a forma de atuar de um regime democrático. Dessa forma, com frequência querem sobrepor a sua vontade frente à coerência e ao bem comum.

Apesar de alguns ranços, é preciso, sem sombra de dúvidas, celebrar as conquistas da Nova República, visto que, mais do que frustrações, nos últimos 25 anos o Brasil viveu uma fase fantástica, ilustrada pelas diversas manifestações de proteção dos direitos humanos fundamentais, como a liberdade de expressão e de religião; o direito a proteção legal; e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política, econômica e cultural da sociedade. São conquistas significativas e, portanto, devem ser valorizadas.

Mandela: a trajetória de um líder

Articulista: Samy Santos-Colunista
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Há exatos 20 anos era libertado Nelson Mandela, o maior opositor do regime de segregação racial, conhecido com Apartheid. Em agosto de 1962, Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu), e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega).
No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao Apartheid que o clamor “Libertem Nelson Mandela” se tornou o lema das campanhas anti-apartheid em vários países. Nas décadas de 70 e 80 recusou uma revisão da pena e também não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar o combate ao regime de segregação racial.
Mandela saiu da cadeia em 11 de fevereiro de 1990. Já em 1993, dividiu com Frederik de Klerk o Prêmio Nobel da paz. Conquista esta muito valorizada por ele. Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.
Mandela tem também sua vida vinculada ao compromisso em lutar contra a AIDS. A campanha intitulada “46664”, sequência escolhida em alusão ao número que o identificava na prisão, já teve o apoio de várias estrelas da música e celebridades, como Bono, do U2, o ator Brad Pitt e o ex-presidente norte-americano Bill Clinton.
Principalmente nos últimos 20 anos, Mandela foi muito mais do que um presidente da África do Sul, foi acima de tudo um símbolo da luta contra o preconceito e a intolerância. O país é hoje uma democracia forte, ainda assolado por desigualdades, pobreza e desemprego, mas Mandela deu, sem dúvida, uma enorme contribuição para mudar a triste história daquele lugar. O legado do ex-presidente sul-africano perpassa valores como solidariedade, tolerância, dignidade e amor ao próximo. Mandela é realmente um grande líder.
PS. Temas vinculados ao preconceito serão, certamente, tema de redação dos vestibulares.

Está se aproximando…


Articulista: Samy Santos- Colunista

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No segundo semestre deste ano será dada início à campanha política na TV, espaço “privilegiado” para expor ideias/projetos e esclarecer dúvidas dos eleitores, fazendo com que estes escolham o “melhor” candidato. Neste momento, o eleitor poderá ver claramente estratégias dicotômicas, haja vista as táticas adotadas por situação e oposição.
Nos programas de TV, os partidos de situação usam a estratégia de super valorizar as conquistas alcançadas, argumentam acerca dos feitos na saúde, educação, cultura, esporte, segurança pública etc; apresentam estatísticas, fazendo com que o eleitor acredite viver no país das maravilhas. Ademais, fazem, muito comumente, comparações com administrações de opositores.
Noutro ângulo, os partidos de oposição apresentam projetos mirabolantes, prometem trazer o desenvolvimento e tirar o país/estado/cidade do atraso e da inoperância administrativa. Muito comum também é tecer críticas, na maioria das vezes, oportunistas à situação. Após vencer as eleições, os “perfeitos” projetos são engavetados. Afinal, eles já cumpriram o papel de “encantar” parte do eleitorado.
Não se trata de tirar, nessa discussão, a importância da oposição e tampouco da situação, mas de evidenciar o verdadeiro debate ideológico/utópico de grande parte dos políticos e, consequentemente, da campanha política na TV. A existência dos partidos de situação e oposição é de extrema relevância para a democracia, dentre outros motivos, pelo papel de fiscalizar ações como também pela alternância de poder. Oposição e situação precisam, apenas, agir com decência e responsabilidade.
Com uma população cada vez mais alienada e sem acesso à educação de qualidade, fica cada vez mais fácil manipulá-la. Como se nota, não é tão fácil para a maioria das pessoas (por falta de criticidade) escolher seus candidatos tendo como parâmetro único a campanha política na TV. É um campo vasto para a mentira e a hipocrisia.
Uma simples pesquisa no “Google” pode revelar muito da conduta de candidatos a cargos eletivos. Além disso, é possível eleger critérios sólidos para a escolha de representantes, tais critérios perpassam, sobretudo, valores como ética, respeito, idoneidade, tolerância, dignidade e capacidade administrativa. É hora de promover um novo olhar sobre as campanhas na TV, elas precisam deixar de ser vistas com algo chato, maçante, e passarem a ser analisadas como um excelente laboratório para a análise do discurso. Não é a solução, mas já é um começo…
PS. Essa concepção de partidos de oposição e situação não pode ser universal e tampouco generalizada.

Sem prestígio

Por Samy Santos -Colunista

A revista Veja publicou, na edição dessa semana, o resultado de uma pesquisa realizada com educandos do ensino médio, tal pesquisa pode servir de parâmetro para aferir o prestígio de uma profissão. Apesar de trazer um resultado previsível, o conteúdo da pesquisa e da matéria serve para demonstrar o descrédito pelo qual passa o exercício do magistério.

Segundo dados coletados pela Fundação Carlos Chagas, às vésperas de ingressar na universidade, apenas 2% dos estudantes brasileiros pretendem seguir no magistério. Outro dado relevante da pesquisa é que os candidatos que pretendem seguir no magistério pertencem ao grupo dos 30% com piores notas no boletim.

Os dados evidenciados pela pesquisa sintetizam o grande desafio que o país terá de enfrentar se quiser, de fato, tornar-se um país desenvolvido. Como se nota, o desafio é grande, visto que a parcela de estudantes que optam pelo magistério compreende, segundo a pesquisa e como fora supracitado, os educandos com as piores notas. Percebe-se, no entanto, que é preciso analisar números com cuidado, para não se criar a falsa impressão de que não há excelentes profissionais no magistério.

Por outro lado, não se pode negar que é preciso lançar mão de estratégias para que a carreira do magistério volte a despertar o interesse dos estudantes, sobretudo daqueles considerados excelentes. Se melhorar a qualidade da educação perpassa quantificar e qualificar os profissionais da área, então o que deve ser feito para atrair excelentes profissionais em potencial? O Brasil tem avançado em muitos segmentos nos últimos anos, mas nenhum país se desenvolve de maneira consistente sem qualificar o sistema educacional, e a nação tupiniquim certamente não se furtará a essa realidade.

Assim, é preciso desenvolver estratégias para distinguir os profissionais de melhor desempenho em sala de aula e atraí-los para a carreira no magistério. Apesar da complexidade do problema, a saída para a questão é relativamente simples, haja vista que todo e qualquer profissional espera ser valorizado, o que inclui, entre outras coisas, boa remuneração, ver seu talento reconhecido e sua capacidade intelectual estimulada. Como se observa, a carreira no magistério ainda está longe de oferecer tais possibilidades. Já é hora de dar novos rumos à educação no Brasil. (www.samysantos.com.br)

A serviço do preconceito

Por Samy Santos-Colunista

Uma das grandes polêmicas da atualidade é a discussão que versa sobre a presença de homossexuais nas Forças Armadas. Apesar de algumas autoridades assegurarem que não há problemas de preconceito e tampouco perseguição contra os gays, é notável que estes têm no meio militar o seu ambiente mais inóspito.

Em outubro passado, o Fantástico apresentou a história do casal gay Fernando e Lascir, oficiais de carreira do exército que foram acusados de deserção, cujo crime consiste em se ausentar, sem justificativa, por mais de 8 dias de suas atividades.

Segundo Fernando e Lascir, a acusação de crime de deserção ocorreu em razão de eles terem assumido publicamente que são homossexuais. Como não há no código militar um artigo claro sobre a presença de gays nas Forças Armadas, uma vez que este faz referência apenas ao crime de pederastia e atos libidinosos dentro do ambiente militar, eles passaram a ser perseguidos e ridicularizados por colegas e oficiais.

De acordo com os especialistas, a história de Fernando e Lascir ilustra o que ocorre nas Forças Armadas no que tange à presença de homossexuais. Como a instituição não tem como punir os militares por sua orientação sexual fora do ambiente militar, oficiais de alto escalão sempre acham outros expedientes, como transferências, punições administrativas, barba por fazer, etc para castigar os “desertores”.

Sem cerimônia, alguns membros das forças armadas asseguram que os homossexuais não são capazes de liderar, de atuar em grandes missões e também não são respeitados pela corporação. Trocando em miúdos, não podem e tampouco devem estar no serviço militar. O curioso é que militares homossexuais só deixam de ter liderança, de ter competência para atuar em grandes missões e de serem respeitados depois que assumem o homossexualismo publicamente.

Como se nota, os argumentos apresentados para a não presença de homossexuais nas forças armadas são totalmente inconsistentes, tais argumentos decorrem, sem dúvida, de uma postura excludente e preconceituosa. Com tal atitude os militares querem, apenas, afastar os homossexuais da corporação, fazer com que muitos dos seus servidores guardem as suas orientações/predileções sexuais “no armário”, bem como fazer com que “malfeitores” não ”manchem” a imagem das Forças Armadas.

O debate sobre o homossexualismo nas Forças Armadas já começou nos Estados Unidos e Europa, o que certamente ocorrerá com maior ênfase também no Brasil. Temas complexos e polêmicos têm de ser discutidos não só pelas autoridades, mas pela comunidade de maneira geral. Alguns países europeus já sinalizam uma quebra de preconceito, haja visa que permitem abertamente a presença de homossexuais nos órgãos militares.

A sociedade brasileira caminha a passos largos para o “sufocamento” do preconceito, assim a presença de homossexuais declarados nas Forças Armadas será apenas mais um tabu a ser quebrado. Percebe-se que posturas discriminatórias serão, sem dúvida, cada vez menos toleradas. Dessa forma, já é possível vislumbrar, num futuro próximo, uma situação melhor para os homossexuais em todos os contextos sociais.

PS. De olho no vestibular, este assunto pode ser tema de redação.

SESSÃO DA CÂMARA

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BLOGUEIRO

AFONSO MENDES

Árbitro de Futebol Profissional; Bacharelando em Direito na UNEB; com extensão em Direitos Humanos na UnB; e Direito Administrativo na ILB (Senado Federal). Um jovem que acredita na renovação dos valores da política.

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