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A nossa seleção perdeu, uma seleção que vinha jogando bem, uma seleção que estava entre as melhores da copa. Nós brasileiros ainda nem acreditamos, acordamos hoje em 03 de julho, e nos perguntamos: Eles estavam indo tão bem! Como aconteceu uma coisa destas?
Creio eu este resultadodeveu principalmente a dois fatores:
1- O nível de stress dos jogadores: Nos últimos jogos, vimos várias demonstrações de agressividade e despreparo emocional dos jogadores, Já no jogo contra Costa do Marfim, até o Kaká, um jogador conhecido por ser equilibrado e calmo, reagindo agressivamente a provocação do jogador de Costa do Marfim. No jogo contra Portugal, as reações de agressividade dos jogadores aumentaram: Felipe Melo pisando no pé do jogador português, várias atritos dentro de campo com os portugueses, etc. No jogo com a Holanda ficou mais gritante, a toda hora jogadores brasileiros gritando com os holandeses e discutindo com o Juiz, Robinho indo lá tirar satisfação com o Sneijder , Malcolm reclamando, fazendo cara feia, etc.
Ora, “catimbar”, cavar faltas, provocar o adversário é algo que o time adversário faz e o Brasil, diga-se de passagem, também , mas reagir as provocações é sinal despreparo emocional. Afinal é Copa do Mundo, está se lá no campo para jogar, ganhar o jogo, e não para discutir.
Por exemplo, no Jogo Argentina X México apesar de erros do juiz, e falhas da seleção da defesa do México. Não vimos esta agressividade entre os jogadores de ambos os times. Vimos sim ambos os times procurando jogar (bem ou mal) futebol, e não em ficar se estranhando dentro de campo.
O comportamento dos jogadores brasileiros mostrava claramente que nível de stress dentro da seleção vinha almentando jogo a jogo. Por outro lado observamos o mesmo despreparo emocional no comportamento do Técnico Dunga na entrevista coletiva em que xingou o Alex Escobar, ou seja, se uma equipe se espelha em seu comandante, este foi definitivamente o caso. Durante os jogos mesmo quando um jogador tinha um comportamento reprovável em campo, não vimos sinais de reprovação vindos do treinador. Nem quando o Felipe Melo foi expulso, na saída do campo, o Dunga simplesmente o cumprimenta com um toque de mãos e só.
2- A seleção veio ganhando, ganhando, e em nenhuma situação enfrentou estar perdendo o jogo nem muito menos empatando. Claramente não se preparou para enfrentar esta situação. Não sei se existe algum terapeuta ou psicólogo que faça o acompanhamento dos jogadores. Mas ficou evidente que o time se desestruturou totalmente, não conseguiu encarar o fato de estar perdendo. Esqueceu que era a seleção brasileira, que tinha uma defesa maravilhosa e atacantes talentosos, que tinha ganhado vários jogos anteriores, esqueceu tudo só porque levou um gol. Ai a Holanda fez a festa, mas fez a festa jogando não em cima da seleção, mas sim de um bando de jogadores descoordenados, que não sabiam o que fazer em campo. E enquanto isto o técnico, o que fazia? A mesma coisa que fez no jogo contra Portugal: Dunga se comporta durante os jogos como se fosse não o técnico, mas sim um torcedor enlouquecido Um chefe de torcida: xinga, grita, esperneia, e pronuncia palavras impublicáveis, reclama que o juiz deveria ter marcado falta, etc. Faz tudo isto, ao invés de passar tranqüilidade para o time, ao invés de observar o jogo ver as falhas e orientar os jogadores, chamar um jogador na beirada do campo e passar instruções etc. Qual a comunicação entre Dunga e o time durante os jogos? Nenhuma! Por esta falta de orientação Brasil X Portugal terminou zero a zero, por esta falta de equilíbrio emocional, de alguém para chamar todos os jogadores e dizer: Gente “somos a seleção brasileira, temos ainda 35 minutos para virar o jogo, é só jogar o que vínhamos jogando que a gente consegue fácil”.
Não, a seleção de jogadores brasileiros não eram “pernas de pau” como se começa a se dizer agora. Eles tinham sim potencial para chegar a final da copa. Qualquer um que assistisse a seleção até o primeiro tempo do jogo contra a Holanda diria o mesmo. Também o Dunga não é o pior dos treinadores, ele tem lá suas qualidades, tanto que vinha vencendo até agora, coisa que muita seleção de renome não conseguiu fazer (Itália e França que o diga) Mas preparo e equilíbrio emocional faz parte das qualidades que um time tem que ter para vencer, e chega um momento em que era preciso ter estas qualidades. E isto fez a diferença.
Fernando M. Santana Barreto,
Engenheiro e Cidadão Ipiauence ( residente em Salvador)
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