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Prefeito cancela Processo seletivo em Ipiaú

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Por Marcus Passos

Promovido pelo Governo Municipal, o Processo Seletivo Simplificado para provimento temporário de cargos na Prefeitura Municipal, realizado no último domingo (28), foi suspenso após vários tumultos que obrigaram uma ação direta da polícia para conter a revolta popular.
Vários candidatos indignados e revoltados com os procedimentos desorganizados do teste seletivo a cargo da Multideias – Consultoria e Assessoria de Educação procuraram o vereador Nena Passos, pois seus nomes não constavam na lista dos aptos a realizarem as provas muito menos nas salas onde deveriam se apresentar para o teste, mesmo depois de terem pagado taxas que variaram de R$ 10,00 a R$ 50,00.
Por conta dessa desinformação e desorganização, houve candidatos que percorreram durante o dia todos os locais de realização das provas na esperança de localizarem seus nomes. Em vão. Muitos voltaram para casa sem descobrir onde passariam pela seleção. E, portanto, sem fazerem o teste.
Além do atraso na entrega das provas os portões no Colégio Estadual Luis Eduardo – que deveriam ser abertos às 8:00 pontualmente, não o foram. Os próprios representantes da Multideias chegaram atrasados em vários pontos de realização das provas.
Denúncias também chegaram até o vereador Nena dando conta de que dezenas de envelopes contendo as provas que seriam estavam com os lacres violados. Em outros casos as provas não continham os nomes dos candidatos, sendo esse procedimento realizado pelos inscritos que tiveram que colocar seus nomes nas provas.
Houve vários registros de falta de provas, ou seja, o número era insuficiente para a quantidade de inscritos. Neste caso foi citado como exemplo o cargo de Auxiliar de Classe. Pessoas ficaram sem fazer o teste por falta de provas.
Os principais pontos onde aconteceram tumultos provocados pela revolta popular foram nos colégios Luis Eduardo Magalhães e no Estadual de Ipiaú. No Colégio Modelo um candidato inscrito para o cargo de Auxiliar de Classe descobriu que, na verdade estava fazendo a prova para outro cargo e daí alertou os demais candidatos sobre o erro cometido pela empresa.
A partir daí o tumulto começou a se generalizar com várias pessoas passando pelos corredores tentando invadir outras salas para impedir o prosseguimento das provas após a comprovação do grave erro. Os candidatos às vagas de enfermeiro perceberam também, neste momento, que estavam fazendo a prova para o cargo farmacêutico e de operador de computador.
Cerca de 100 candidatos se enfureceram e ameaçaram invadir todas as outras salas interrompendo o prosseguimento da aplicação das provas criando um tumulto generalizado que necessitou da ação enérgica do PETO – Pelotão de Emprego Tático Operacional da Polícia Militar que foi acionada para regularizar a situação com o esvaziamento do Luís Eduardo.
Os candidatos que prestariam prova no Colégio Estadual de Ipiaú iniciaram os tumultos quando constataram a ausência dos seus nomes na lista de presença, além da falta de provas em número suficiente para todos os inscritos. Apesar de tantos protestos o processo seletivo transcorreu normalmente nas Escolas José Mendes e Celestino Bittencourt.
Nenhum representante da Multideias – consultoria responsável pela aplicação das provas – apareceu para dar satisfações aos candidatos.
Outro absurdo grave que ocorreu na após a realização das provas em alguns locais foi que vários candidatos saíram das salas de posse das provas, o que é terminantemente proibido e que deveria ocasionar desclassificação.
Prefeito cancela Processo Seletivo e culpa consultoria pelos danos
O Prefeito Municipal de Ipiaú Deraldino Araújo (PMDB), em entrevista na rádio Ipiaú FM na segunda-feira (1°), um dia após a realização do Teste Seletivo, fez pronunciamento cancelando todo o teste seletivo realizado no município de Ipiaú, inclusive nos locais onde as provas ocorreram sem transtornos.
O Chefe do Executivo afirmou que a Prefeitura não tem nada a ver com esses erros, cabendo a culpa apenas à empresa que, segundo o gestor foi selecionada através de carta-convite.
Ainda de acordo com Araújo, novo teste deverá ser realizado até o próximo mês de abril, embora não assegurasse aos candidatos a desclassificação da Multideias após a mesma demonstrar total incapacidade e incompetência para tal serviço.
O prefeito deixou claro que após a seleção da Multideia para a realização deste processo seletivo, a consultoria se responsabilizou por todo o procedimento. O que ficou sem esclarecimento é se não havia nenhum órgão ou representante da prefeitura designado para acompanhar o andamento do trabalho com a cobrança de memorial descritivo e calendário de procedimentos com datas para cumprimentos de metas a fim de que o processo tivesse obtido êxito ao invés do fracasso que foi.
Vereador comenta realização e cancelamento do Processo seletivo
Diante de todos os fatos que se sucederam à realização deste Processo Seletivo, que foi combatido pelo vereador, visto que um concurso está em validade no município e 198 concursados aguardam convocação, Nena Passos mostrou-se indignado com tamanha incapacidade gerencial e incompetência demonstradas pela Multideias, empresa que deveria ser preparada profissionalmente para a realização deste serviço contratado.
Segundo Nena Passos, a incapacidade da empresa foi demonstrada desde a realização das inscrições até a aplicação das provas. Os interessados se espremiam na porta da prefeitura para conseguirem pegar um pedaço de papel rasgado com a anotação dos números de agência bancária e conta corrente onde deveriam fazer depósitos que variavam de R$ 10,00 até R$ 50,00. Na gestão anterior qualquer pagamento só se dava através de boleto bancário, mesmo se fosse um centavo.
As informações que chegaram ao vereador Nena também davam conta de que a empresa não disponibilizou os assuntos que deveria ser estudados pelos candidatos, tendo vários deles se dirigido para as provas sem saber o que iria cair.
Quanto ao cancelamento do teste por parte do prefeito, Nena Passos afirmou que “Foi a decisão mais apropriada para a gravidade do momento. As conseqüências provocadas pela incapacidade desta empresa em gerir um processo seletivo geraram, sem sombra de dúvidas, prejuízos para os inscritos. O custo de estarem em Ipiaú para a realização do exame será dobrado, pois os que moram fora da cidade terão que retornar numa nova data. Muitos dormiram em hotéis, pagaram estadia, alimentação, transporte ou viajaram pela madrugada para estarem nos locais dos exames no horário indicado. Porém para tristeza de todos, os representantes da Multideia nem se deram ao luxo de chegarem nos locais das provas no horário especificado”.
Nena continuou: “Falam da ausência de vereadores na fiscalização das provas. Veja só! Como vereador recebi durante parte da manhã do domingo em minha residência vários candidatos que foram prejudicados, todos relatando suas agonias. Estive nas ruas conversando com outras pessoas que também passaram pelo mesmo constrangimento. Evitei entrar nos locais onde as provas deveriam acontecer e onde os tumultos se iniciaram. Fui cauteloso e responsável, pois como vereador de oposição ao governo municipal, se tivesse com objetivo de tirar proveito da miséria alheia, de estar lá no meio do tumulto hoje toda a imprensa regional e pessoas ligadas ao prefeito estariam dizendo que foi o vereador Nena quem provocou toda a bagunça, que incitou os concursados a mostrarem suas indignações”.
Várias perguntas ficam no ar: Quando haverá novo teste? Será a incapacitada Multideia que continuará a frente deste processo? O prefeito não a desclassificará? Se outra empresa for selecionada, a Multideia restituirá os valores recebidos do município de Ipiaú?
Para finalizar o vereador questionou: “Fiz várias pesquisas em sites de buscas na internet e nada consegui encontrar sobre a tal Multideias – Consultoria e Assessoria de Educação. Deveria existir lá alguma referência sobre a mesma. Área de atuação, cadastro de clientes, testes já realizados em outros municípios, responsáveis pela empresa… Mas nada. Nenhuma referência. Além de muito estranho é temeroso contratar através da administração pública empresas que não conseguem passar até para um órgão fiscalizador direto que é a Câmara Municipal, informações básicas sobre sua procedência e atuação”.

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